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quarta-feira, 8 de setembro de 2010

10 coisas que as crianças deveriam aprender sobre a escola

Algumas coisas eu gostaria que tivessem me ensinado na escola, sobre a própria escola:


1 - O ensino pode te deixar burro.
O ensino é passado de acordo com o modo capitalista de produção, seguindo a lógica da especialização, mas isto te transforma em uma pessoa com uma visão limitada da realidade. Por isso você aprende história, geografia, matemática, português e literatura como disciplinas isoladas: para que tenha uma visão limitada da realidade e não consiga relacionar os acontecimentos e ter uma visão de mundo distorcida. Resumindo: eles te ensinam errado e não te ensinam oque é importante sobre Hegel, o cara que disse que "ao ver a árvore pode se perder de vista a floresta".

2 - "Estudar muito para conseguir um bom emprego" é um conselho defasado.
O ensino é apresentado de acordo com o modo capitalista de produção, seguindo o modelo que funcionava bem para a revolução industrial. Mas o conselho: "estudar muito e conseguir um bom emprego" está defasado. Uma boa dica de leitura que não vão dar pra você ler na escola, mas é fundamental para seu sucesso: "Pai Rico, pai pobre", de de Robert Kiyosaki e Sharon Lechter.

3 - O primeiro e o segundo grau não servem para nada, nem para passar no vestibular.
Você precisará de cursinho preparatório, mesmo que seja um bom aluno. Gostaria que tivessem me explicado isso, e que tivesse a opção de escolha. Já que o cursinho é inevitável, eu faria um supletivo do segundo grau , e o tempo anterior, eu teria estudado música, arte, literatura, fotografia, alemão, francês, coisas que eu uso de verdade.
4 - Estão fazendo do seu cérebro um computador sem CPU.
Quando eu era criança, não era conhecida a conversa sobre "inteligência emocional", nem sobre "inteligências múltiplas". Teria evitado muitos conflitos profissionais e aborrecimentos desnecessários. Mas continua sendo assunto desconhecido no segundo grau. Claro, é psicologia! Mas os alunos estão sendo preparados pra que? Não é pra vida profissional? Não , não é. Estão sendo preparados para nada. Estão apenas recebendo informações sem propósito nenhum. Ah! Se eu soubesse que estavam fazendo do meu cérebro um depósito de informações sem dar a ele a capacidade de processar tudo isso...

5 - Definitivamente, você não pode saber oque quer. Se souber, é mera coincidência.
As grandes decisõs são tomadas a partir dos 21 anos. Explico. Há uma área do cérebro que é responsável pela tomada de decisões importantes. Esta área só está completamente formada por volta dos 21 anos. Assim, um adolescente não pode saber oque quer da vida. Mas se contassem isso, as empresas que fazem orientação vocacional estariam enrascadas.
6 - A escola não te ajudará em nada, caso você seja um artista.
A maioria das professoras do primeiro grau não fez curso algum de arte-educação, não são artistas, não vão a museus, não tem convivência com arte e ganham muito mal para comprar os caros livros de arte. Se na aula de artes você está fazendo desenho para datas comemorativas, investigue: ou você tem uma professora alienada da arte ou você tem uma professora fantástica sendo coagida pela diretora da escola a manter o sistema. Se seu caso é a segunda opção, converse com ela fora da hora de aula e você descobrirá uma mente subversiva da melhor qualidade. E esqueça a preocupação com as notas: este tipo de professora revolucionária não se rende a notas nem a provas.

7 - Não se intimide com a sabedoria dos CDF's, nem com a burrice dos tapados.
Não há como prever o futuro, então, se tiver que aborrecer alguém, seja democrático. Bill Gates estava certo quando , nas suas dez regras para o sucesso, disse: "Seja legal com os CDFs (aqueles estudantes que os demais julgam serem uns babacas). Existe uma grande probabilidade de você vir a trabalhar para um deles". mas a frase também é antiga, uma versão atualizada diria para você ser legal com os estudantes imbecis e tapados, porque você pode trabalhar para um deles também, afinal, a indústria do entretenimento faz do um imbecil um milionário da noite para o dia.

8 - A escola não respeita seus horários.
Gostaria que tivessem me explicado sobre o relógio biológico, que a escola nunca respeitou. De quem foi a idéia brilhante de colocar a primeira aula (aquela, às 7:00h da madrugada)?
9 - Não confronte professores malvados.
A coisa mais estúpida que um aluno pode fazer é provocar a ira de um professor. Recomendação especial: se você tem um professor daquele que não gosta de dar aula, que é arrogante, ou burro, não confronte a burrice dele. Se estiver preocupado com seus colegas, ensine a eles depois da aula. Lembro de Miguel, professor de português, que explicou o modo imperativo expulsando da aula o melhor aluno da sala (o aluno o havia corrigido num dos seus muitos erros terríveis de ortografia) e disse: "viram? Isto é o modo imperativo. Eu imperei sobre o aluno". Não confronte este tipo de besta, elas são selvagens e gostam de pegar alguém para exemplo. O bode expiatório pode ser você. "A Arte da guerra", de SunTzu  é uma boa literatura em caso professores belicosos(outro livro que não vão indicar a você na escola, mas está disponível na internet para download).
10 - Aproveite o dia.
Seu tempo na escola será memorável quando você for mais velho. Sim, vai gerar estórias fantásticas para seus filhos, netos, amigos e para os leitores do seu blog. Aproveite. Faça amigos. Quando encontrar um professor maneiro, esqueça a burocracia da disciplina, a zombaria do grupinho de adolescentes e fique amigo dele. Você nunca vai ouvir alguém falando: "saber que a soma dos quadrados dos catetos é igual à hipotenusa mudou a minha vida", ou "minha visão de mundo mudou quando estudei sobre a guerra fria", ou "agora posso entender a importância do conhecimento da tabela periódica". Mas você nunca esquecerá o dia que seu professor falar pra você como é apaixonado pela profissão.


Lya Alves

domingo, 7 de março de 2010

A Estória de Jackson Pollock, por Lya Alves

Há muito tempo atrás, na terra encantada, havia um mágico chamado Jackson Pollock, que morava numa maçã e usava sua varinha mágica para dar vida às tintas, ele fazia uma dança mágica, agitava os braços e então, de repente, aparecia uma gigantesca multidão de pingos incandescentes que, juntos uns dos outros, criavam vida e dançavam com ele, fazendo muitos splats por aí.




segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Mapa do Brincar

Confiram o resultado da pesquisa da Folhinha sobre as brincadeiras infantis no Brasil.
Clique no título desta postagem ou siga o link:
http://www1.folha.uol.com.br/folha/treinamento/mapadobrincar/

sábado, 6 de junho de 2009

Fórum Paulista Cultura da Criança

Temos o imenso prazer de informar que o Fórum Paulista Cultura da Criança -FPCC inicia suas atividades públicas à partir da semana que vem, com a exibição do documentário Criança, a alma do negócio, dos diretores Marcos Nisti e Estela Renner, com entrada franca e logo após teremos um debate. O Fórum terá encontros mensais abertos à tod@s interessados.
Todos que trabalham, apoiam ou são simpatizantes às questões relativas ao universo da Cultura da Criança e da Infância podem aderir gratuitamente ao FPCC. Divulguem para suas Redes.

Segue abaixo o regimento do Fórum.

Instituições e artistas que participaram da criação do regimento do Fórum Paulista Cultura da Criança e da sua fundação: Unesco São Paulo, Sesc São Paulo, Itaú Cultural; Institutos: Paulo Freire, Alana, Avisalá, Sidarta, Zero à Seis; Associação Viva e Deixe Viver, Associação Brasileira pelo Direito de Brincar, Aliança pela Infância, Cooperativa Paulista de Teatro, Laboratório de Brinquedos e Materiais Pedagógicos-Labrimp, Projeto Cala Boca Já Morreu, Fundação Orsa, Portal Cultura Infância, Cia. Balangandança, Cia. Bola de Meia, Gilsamara Moura, Lilia Rosa, Renata Meirelles, Uxa Xavier, Thelma Chan.

Gabriel Guimard
Editor Portal Cultura Infância (www.culturainfancia.com.br)
Diretor da Cia. Megamini de teatro
Centro de Referência do Teatro para Infância
Fórum Paulista Cultura da Criança

SERVIÇO
Reunião Fórum Paulista Cultura da Criança
Local: Sesc Vila Mariana - Torre A
Dia: 10 de junho (quarta-feira)
Horário: das 19h às 21h30
Endereço: Rua Pelotas, 141 - Vila Mariana (entre o metrô Paraíso e Ana Rosa)
Entrada Franca
Maiores informações: (11) 9800.7357
Falar com Gabriel Guimard

Apresentação

O Fórum Paulista Cultura da Criança (da, com e para a Criança) é um espaço aberto de encontro, reflexão, debate, formulação de propostas, troca de experiências e articulação de ações entre o poder público, a sociedade civil e interessados nas questões relativas ao universo da cultura da criança.

O Fórum Paulista Cultura da Criança iniciou seus encontros em agosto de 2008, a partir de um grupo de trabalho constituído na cidade de São Paulo, que contribuiu para a elaboração da Oficina de Escuta Brincando na Diversidade, uma iniciativa da Rede Cultura Infância em parceria com a Secretaria da Diversidade Cultural/MINC, Sesc São Paulo e Fundação Orsa. Essa oficina foi realizada em meados de outubro de 2008, no Sesc Vila Mariana e reuniu mais de 50 artistas, pesquisadores, arte-educadores, organizações não governamentais de todo o Brasil, que atuam no universo da cultura da criança, além de representantes de várias secretarias do Ministério da Cultura.

O Fórum se define por um processo dinâmico e contínuo, sem fins lucrativos, apartidário, que congrega seus membros com o objetivo de proporcionar o encontro das múltiplas vertentes do universo da cultura da criança. Está assegurada às entidades ou ao conjunto dos indivíduos que participam dos encontros a liberdade de discutir, propor, avaliar, apoiar e mobilizar ações para o incremento do campo da cultura da criança.

As reuniões do Fórum terão a finalidade de socializar visões e análises para o conjunto de seus membros e para a sociedade civil, explicitando questões, propostas e estratégias diversas de ações pela melhor compreensão, desenvolvimento e difusão da cultura da criança, a fim de assegurar os espaços necessários para o exercício do protagonismo da criança, sempre em sintonia com a Convenção Internacional sobre Direitos da Criança e o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

Objetivo geral
Reconhecer, fomentar e fortalecer a expressão da cultura produzida e oriunda da, com e para a criança. Além de valorizar a criança como sujeito de direitos, ampliar sua acessibilidade aos bens culturais e todas as formas de expressão e contribuir com o seu protagonismo na sociedade do século XXI.

Objetivos específicos
Reunir entidades, movimentos, profissionais e outros agentes, doravante denominados membros do Fórum, interessados no universo da cultura da criança;

Atuar junto aos poderes públicos e à iniciativa privada para a elaboração de políticas, programas e projetos de lei voltados ao fomento de produção, difusão e formação de público na área da cultura da criança, valorizando a diversidade e identidade cultural brasileira;

Estabelecer um espaço aberto à reflexão, ao debate, à troca de experiências e à formulação de propostas articuladas coletivamente;

Atuar junto as instituições, grupos e indivíduos que trabalhem, pesquisem ou promovam a cultura da criança, como força social mobilizadora e articuladora, no sentido de fortalecer suas atividades e potencializar o trabalho de todos estes agentes sociais; sejam membros ou não do Fórum;

Estabelecer um conceito mais preciso de Cultura da Criança que oriente a atuação dos membros do Fórum;

Democratizar e intensificar a comunicação e o intercâmbio entre os membros do Fórum, com o objetivo de conhecer melhor a linha de atuação de cada participante (instituição ou indivíduo);

Apoiar a realização dos objetivos específicos a que se propuseram as entidades e membros do Fórum;

Garantir espaços e mecanismos para o exercício do protagonismo das crianças;

Promover articulações com o Fórum Paulista dos Direitos da Criança e do Adolescente e a Rede Nacional da Primeira Infância, entre outros.

Caráter e estrutura
O Fórum Paulista Cultura da Criança é instituído e mantido por entidades, movimentos e agentes da cultura da criança e não tem personalidade jurídica própria;

O grupo virtual do FPCC é um espaço de comunicação e troca de ideias entre os membros do Conselho, porém as decisões e deliberações que necessitem de votação, deverão ser realizadas por meio das Assembléias mensais ou extraordinárias;

O Fórum terá em sua composição a Secretaria Executiva e, eventual ou permanentemente, Grupos de Trabalho, que discutirão temas específicos, e se reunirão sob a forma de Assembleia pelo menos uma vez por mês.

Do Fórum
O Fórum pautará sua ação pela busca da maior representatividade possível dos diferentes modos de entender e agir dentro do universo da cultura da criança;

O Fórum será constituído por representantes de associações, movimentos, empresas e outras entidades que atuam nas áreas da cultura da criança com ou sem personalidade jurídica própria; e, indivíduos sem vinculação a entidades;

Para a admissão de entidades ou indivíduos no Fórum será necessária a expressa manifestação de intenção por meio de ficha de adesão, na qual o participante manifestará seu acordo com as diretrizes apresentadas;

Aqueles que compõem o Fórum devem se comprometer com a inclusão de novos membros que possam vir a preencher eventuais lacunas de representação regional e/ou setorial;

Cada reunião será mediada por qualquer participante do Fórum designada no momento da reunião;

As Assembleias serão abertas ao público, com direito a voz, porém só poderão votar os indivíduos ou instituições que fizeram sua adesão ao Fórum;

Cada instituição terá direito a um voto, para que seja equivalente ao voto individual.

Da Secretaria Executiva
A Secretaria Executiva será constituída por um Coordenador Geral, um Secretário e um Tesoureiro, que serão nomeados pelo Fórum a cada ano, podendo ser reeleitos por mais um mandato apenas;

No impedimento do Coordenador Geral do Fórum, o Secretário assumirá todas as suas funções. No impedimento do Secretário, o Tesoureiro. Diante do impedimento de todos os membros da Secretaria Executiva, será nomeado um Secretário “ad hoc”, pelo Fórum;

Cabe à Secretaria Executiva um papel articulador e facilitador dos processos de trabalho do Fórum; tais como: a) convocar e dirigir reuniões; b) prestar contas sobre a gestão dos recursos financeiros; e, c) controlar e atualizar o cadastro dos membros do Fórum, no intuito de agilizar os trabalhos e a comunicação interna.
Dos Grupos de Trabalho

O Fórum poderá criar Grupos de Trabalho, temporários ou permanentes, mediante proposta do Fórum, com a finalidade de realizar estudos ou ações concretas sobre assuntos específicos;

Para cada Grupo de Trabalho será designado um Coordenador a fim de direcionar os respectivos trabalhos.

São Paulo, 03 de abril de 2009.
(Notícia recebida do grupo Roda de Histórias - http://br.groups.yahoo.com/group/wwwrodadehistorias)

segunda-feira, 4 de maio de 2009

A figura humana nas aulas de artes: uma proposta de trabalho na educação infantil bilíngue.

Selma de Assis Moura e Ariane D’Avila Mantovani

Texto complementar ao workshop apresentado no "3rd Brazilian Bilingual Schools Conference" / 3º Congresso Brasileiro das Escolas Bilíngues, em 02 de maio de 2009

O propósito deste trabalho:

Queremos compartilhar uma reflexão sobre a experiência de trabalho nas áreas de artes e linguagem desenvolvida com crianças de 5 anos em uma escola bilíngue de educação infantil na cidade de São Paulo. Nesta escola, como ocorre em muitas outras escolas bilíngues, as crianças passam pelo menos quatro horas diárias em um programa de imersão em segunda língua (no nosso caso, inglês) que não é apenas a língua que se pretende ensinar, mas também a língua através da qual os conteúdos curriculares são ensinados.

Vivemos, portanto, um duplo desafio: o de ensinar os conteúdos curriculares e uma segunda língua a crianças que são, quase todas, brasileiras e falantes nativas de português. Há na escola também algumas crianças para quem o inglês é a primeira língua, ou mesmo uma segunda língua materna. Para garantir um ambiente de circulação do inglês e maximizar a exposição das crianças à segunda língua, a comunicação entre a equipe da escola e as crianças ocorre quase totalmente neste idioma, embora o português seja eventualmente utilizado em atividades específicas e apareça, na maior parte do tempo, na comunicação entre as crianças. Conforme as crianças demonstram maior compreensão do inglês, as professoras as incentivam a falar mais nesta língua.
Um dos eixos de trabalho na escola é constituído pelas Artes Visuais. Presente de muitas formas na vida das crianças, as artes constituem uma forma privilegiada de ajudá-las a compreender o mundo, organizar seus pensamentos, expressar ideias, desenvolver o domínio de técnicas expressivas e ampliar seu potencial criativo. Seu principal objetivo é o desenvolvimento estético e a educação da sensibilidade. Mas como menciona o próprio Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil, frequentemente as artes acabam se transformando em uma série de técnicas desconexas, que assumem função acessória a outras áreas, como a decoração, a elaboração de adereços, a preparação de eventos e outras funções que não contribuem com o aprendizado das crianças sobre artes.

Quisemos superar essa visão utilitarista de artes e avançar rumo a uma visão de artes como linguagens, e por isso teve lugar na escola um processo de formação em que pudemos refletir sobre o que é arte e o que é ensinar arte na escola. Algumas professoras tinham mais experiência do que outras, mas todas se engajaram de alguma forma nesse processo de formação, que nos ajudou a reconstruir nossa própria prática (MOURA, 2008).

A bagagem essencial do professor é seu repertório profissional que é adquirido pela prática. Porém, não é a prática por si só que é formadora, ela deve sempre ser acompanhada da reflexão sobre a experiência, pois é a reflexão sobre a experiência que é formadora e não a experiência por si só. (NÓVOA, 2004)
Este desafio se coloca a todas as professoras polivalentes que atuam na educação infantil. Mas em nosso caso, dada a especificidade de se tratar de uma escola bilíngue, mais um desafio se coloca: ensinar uma língua e ensinar através de uma língua. Para nós, que utilizamos a comunicação na segunda língua como forma de ensinar a própria língua e os conteúdos pretendidos, ambos os processos são concomitantes.

A experiência que escolhemos compartilhar teve lugar sob a forma do projeto “Body in Arts”, desenvolvido com a turma de 5 anos. A escolha de trabalhar com este tema, o corpo humano, tem a ver com os interesses e necessidades das crianças nesta idade, que estão construindo seu esquema corporal e sua auto-imagem, e permitiu construir uma grande variedade de conhecimentos.

As crianças tiveram contato com obras de vários pintores e escultores, o que permitiu que ampliassem seu repertório imagético ao perceberem uma grande variedade de possibilidades de expressão para o tema do corpo humano. Partimos de suas ideias iniciais, que foram sendo confrontadas com outras ideias, reorganizando-se, ampliando-se e aproximando-as da produção cultural em artes. Como afirma Iavelberg (2006):

"Cabe à escola abrir o leque no ensino das diversas áreas de conhecimento. Situamos a área de arte que, entre outras linguagens, circunscreve a aprendizagem do desenho que, aprendido na escola, certamente promoverá a participação cultural dos alunos e a interação com a diversidade das culturas."

A documentação do processo de aprendizagem através de fotografias, cópias das produções das crianças, anotações de suas falas e registros reflexivos pela professora foi essencial para formar um panorama da progressão das aprendizagens das crianças, como mostramos neste trabalho. É com base na experiência que desenvolvemos e no que aprendemos que compartilhamos nossa reflexão e nossa proposta, esperando assim contribuir com o trabalho de outros colegas que, como nós, vivem o duplo desafio de ensinar artes e uma segunda língua de forma integrada.

Por que trabalhar com a figura humana nas aulas de artes?

O corpo é o centro do conhecimento, das percepções, das sensações, da estruturação da identidade, da organização do pensamento. No dizer de Edith Derdyk, pesquisadora, artista, é pelo corpo que o mundo interior, psíquico, se comunica com o mundo exterior, social. E como nos ensinou Piaget, a gênese da inteligência da criança é sensório-motora, dá-se no plano da ação motriz, predecessora e parte constituinte de todo o pensamento. De uma idéia inicial indiferenciada entre seu corpo e o corpo da mãe, o ser humano gradualmente estrutura sua percepção de si como indivíduo. A apropriação da imagem de si, a construção de seu esquema corporal e a afirmação como sujeito caminha de uma visão egocêntrica para uma progressiva descentração, necessária à formação da subjetividade de cada pessoa.

Desde muito cedo as crianças, em sua exploração do mundo e dos materiais, têm acesso a riscantes que imprimem marcas sobre superfícies. No início essas marcas são impressões de seus gestos, e não expressam um desejo de representação. Porém, a criança logo percebe que seus movimentos causam impressões gráficas, e passam a variar os movimentos observando as mudanças produzidas. Assim, as garatujas passam a ordenar-se e podem estruturar-se em padrões lineares, circulares, espiralados, conforme as experiências que as crianças vão construindo.

Uma revolução copérnica no pensamento da criança ocorre quando ela percebe que estas marcas podem representar algo. A associação entre marcas gráficas e uma realidade que pode ser representada é uma construção cognitiva que permite à criança acrescentar ao seu desenho uma intenção de representar: uma nova possibilidade de pensamento, agora simbólico, se apresenta, e será experimentada pela criança com entusiasmo. As garatujas passam a ser nomeadas: a criança diz: “Isto é um cavalo, este sou eu, esta é minha mãe...”, mesmo que seus traços ainda pareçam indistintos para nós.

Essas experiências com a representação vão gradualmente estruturando o desenho da criança em padrões mais figurativos. Frequentemente a criança procura representar a si mesma e às pessoas com as quais convive: família, colegas, professores, além dos ‘seres’ que lhe interessam: animais, brinquedos, etc. As experiências de vida da criança passam a se revelar em seus desenhos.

"Além do conhecimento de si mesma, que a criança tem ao desenhar, ganha compreensão do mundo. Ela desenha porque existe desenho no mundo. Aprende a ver e a executar o que vê. Tende a assimilar níveis de conhecimento e produção artística e estética cada vez mais complexos, agindo sobre os objetos de conhecimento (desenhos) de diversas culturas, tempos e lugares". (IAVELBERG, 2006)

O desenvolvimento do desenho da criança se dá de forma indissociável ao seu desenvolvimento como um todo. A linguagem verbal, o pensamento lógico, a psicomotricidade, a socialização e a afetividade se desenvolvem ao mesmo tempo, pois a criança é una.

Desenhar a figura humana, ou seja, a si mesma e aqueles com quem convive, é significativo para a criança, pois permite que pense sobre si mesma, seu corpo, sua personalidade.

"A construção da figura humana, em sua gênese, é um ótimo pretexto para observarmos o mapa da ampliação da consciência, através de um documento gráfico vivo e orgânico; é um convite para flagrarmos o processo de construção da visão de mundo da criança".(DERDYK, 2003)

Ao estudarmos a história da arte percebemos claramente que em todos os tempos o ser humano se ocupou de sua representação: na Grécia antiga escultores como Praxíteles e Fídias procuravam um ideal de beleza, simetria e harmonia que representasse externamente as qualidades humanas. No antigo Egito a arte procurou fixar a história e a magia sob a forma de pinturas, desenhos e esculturas em que se representava não o que se vê, mas o que se sabe. A pintura clássica retratou tanto a constituição social e econômica das sociedades quanto o imaginário religioso que a cristandade pretendia transmitir aos fiéis. A arte moderna procurou desconstruir a idéia unívoca de representação, ocupando-se do corpo humano para lhe dar um caráter multidimensional como vemos em Picasso. E a arte contemporânea ainda se debruça sobre a representação do corpo humano, eventualmente como crítica aos padrões estéticos vigentes .

O que nos interessa neste texto é pensar sobre como o trabalho com a figura humana nas aulas de arte na educação infantil pode ser contextualizado na necessidade do ser humano de compreender a si mesmo. As artes, como linguagens que são, comunicam ideias, preocupações e visões de mundo, permitindo uma revisão, uma melhor compreensão de quem somos e qual nosso lugar no mundo. Na construção da representação da figura humana aprendemos mais sobre nós mesmos, sobre os outros e sobre os limites Eu-Outro, essenciais na construção da identidade, sobretudo com crianças pequenas.

Tal como a apreensão da forma depende da consistência e da sinalização de suas fronteiras, para a criança a consciência de si depende da percepção de um eu que se distingue de um outro. Qual é a fronteira entre o eu e o mundo exterior, para a criança? A criança confunde essas divisórias, promovendo uma fusão contínua entre o dentro e o fora, entre o psíquico e o físico, confirmando a ausência de um dualismo que instrumentalize o recorte de sua figura no mundo (DERDYK, 2003)

Pensamos, assim, ser essencial incorporar o estudo da figura humana nas aulas de artes, e procuramos uma proposta de trabalho que tome as crianças como autoras de seus próprios conhecimentos e como capazes de se relacionar com a produção artística produzida historicamente pela humanidade, desenvolvendo assim seu percurso criativo de maneira informada pela cultura.

O projeto “Body in Arts”

Dada a importância do conhecimento do próprio corpo pela criança na construção de sua identidade e de sua relação consigo e com o mundo, estruturamos a proposta de trabalho com a figura humana sob a forma do projeto didático “Body in Arts”.
Dentre os objetivos traçados para este projeto esperávamos que as crianças pudessem:
• Manter e ampliar seu interesse nas aulas de artes;
• Ampliar seu conhecimento da língua pelo enriquecimento do vocabulário;
• Desenvolver apreciações de obras de arte como forma de compreendê-las, comunicar suas ideias a apropriar-se de sua linguagem;
• Experimentar diversas formas de representar o corpo humano;
• Ampliar a capacidade de criação através da manipulação de diferentes objetos e materiais, explorando suas características, propriedades e possibilidades de manuseio;
• Conhecer e experimentar algumas técnicas de representação, como o desenho com diferentes suportes e riscantes, e a modelagem com materiais diversos;
• Conhecer algumas obras de arte que representam a figura humana, contrastando-as;
• Ampliar o conhecimento de mundo através da ampliação do repertório estético no contato com obras de diversos pintores e escultores;
• Interessar-se pelas próprias produções, pelas de outras crianças e pelas diversas obras artísticas com as quais entram em contato, ampliando seu conhecimento do mundo e da cultura;
• Produzir trabalhos de arte utilizando a linguagem do desenho, da pintura, da modelagem e da construção, desenvolvendo o gosto, o cuidado e o respeito pelo processo de produção e criação.

Para atingir esses objetivos, organizamos os conteúdos sob a forma de fatos e conceitos, procedimentos e atitudes, conforme proposto por Zabala (1999). Nosso quadro de conteúdos ficou assim organizado:

Conteúdos Conceituais:
• Leitura de imagens dos artistas propostos: Van Gogh, Goya, Munch, Miró e Sandra Guinle;
• Desenhos de observação do próprio corpo, visto no espelho;
• Desenhos de observação dos colegas de sala;
• Pinturas representando figura humana;
• Auto-retrato;
• Modelagem com massinha representando a figura humana;
• Contato com uma artista contemporânea, Sandra Guinle;
• Nomes das partes do corpo, em inglês;
• Nomes dos materiais utilizados, em inglês;
• Verbos de ação relacionados a atividades artísticas: to draw, to paint, to color, etc

Conteúdos Procedimentais:
• Apreciação de suas próprias produções, das produções dos colegas de classe;
• Apreciação das reproduções dos artistas apresentados;
• Produção de desenhos, pinturas e esculturas sobre a figura humana;
• Produção de fundo para posterior continuação com a produção da figura, e vice-versa;
• Produção de auto-retrato com técnicas variadas;
• Variações de suportes e riscantes, com análise dos resultados obtidos;
• Desenhos livres após apreciação de reproduções das obras apresentadas;
• Desenhos de observação de pessoas;

Conteúdos Atitudinais:
• Prazer e gosto em desenvolver atividades artísticas;
• Disponibilidade para comunicar-se em duas línguas;
• Interesse pela exploração dos materiais de artes;
• Cuidado com os materiais;
• Respeito aos colegas e suas produções;
• Organização ao final das atividades;
• Aumento da capacidade de concentração;
• Desenvolvimento de gosto estético;
• Estímulo à criatividade e à auto-expressão.

É importante destacar o papel da pesquisa do vocabulário e das estruturas lingüísticas específicas a este trabalho, que envolve uma listagem dos nomes das partes do corpo e dos materiais oferecidos às crianças. Uma pesquisa sobre as obras e os artistas apresentados às crianças também é indispensável para dar segurança à própria professora, tanto no que diz respeito à arte em si quanto à linguagem necessária para comunicar e ensinar as crianças.

Essa é uma parte que não pode ser esquecida quando se trabalha conteúdo e língua de forma integrada. Para ensinar a língua é preciso sabê-la, o que parece evidente mas tem implicações nem sempre lembradas. Alguns conteúdos trazem um vocabulário que não faz parte da comunicação diária do professor e que pode ser desconhecido para ele. Portanto, é indispensável familiarizar-se com os termos específicos relacionados ao tema que se trata, sobretudo ao se trabalhar com projetos didáticos, que podem aprofundar-se em alguns aspectos ou mudar de direção durante seu andamento.
Também é importante prever quais serão os materiais necessários às atividades: livros de arte com obras relevantes, livros infantis sobre artes, lista de sites e museus virtuais, material para desenhar, pintar e modelar, superfícies variadas, espelhos, etc.

Informar os pais através de uma carta e dar sugestões de como podem criar em casa conexões com o que as crianças estão aprendendo na escola constitui uma maneira de enriquecer o trabalho pedagógico e aproximar os pais da escola, estabelecendo uma parceria que beneficia as crianças.

Além dessas medidas, o planejamento do professor também delineia uma série de estratégias para atingir estes objetivos, que vão se modificando e se ampliando ao longo do projeto: A proposição de rodas de apreciação de reproduções que apresentavam a figura humana por artistas como Miró, Van Gogh, Munch e outros; a visita a museus e espaços expositivos em visitas temáticas monitoradas; a produção de desenhos de imaginação, de observação e de memória; a construção de esculturas representando a figura humana; o desenho de auto-retrato diante do espelho; o trabalho individual, em dupla e em grupo na produção de obras da turma; a roda de apreciação das produções das próprias crianças; a construção de textos coletivos registrando aprendizados; a seleção de obras e a montagem de uma exposição com os trabalhos produzidos são algumas estratégias possíveis no âmbito deste projeto.
E como se trata de um projeto, a reapresentação dos conhecimentos construídos pelas crianças à comunidade sob a forma de um produto final compartilhado vem dar sentido social às aprendizagens. A proposta de apresentar uma exposição com os trabalhos das crianças valoriza estes trabalhos.

Avaliação das aprendizagens

Para documentar o processo de aprendizagem foi montado um portfólio para cada criança com amostras representativas de seu trabalho e sua evolução. O portfólio também continha fotografias, anotações da professora, relatórios, e tornou-se um documento que evidenciava e apoiava a aprendizagem das crianças, útil para elas mesmas, para as professoras e para os pais.

Documentar esta aprendizagem permitiu que todos percebessem como as produções das crianças foram se modificando. Pela observação de seu corpo, pela reflexão sobre as formas de representar, pela apreciação das obras de diferentes artistas, as crianças foram desenvolvendo sua observação, apropriando-se dos elementos figurativos que compõe a linguagem do desenho, experimentando o uso desses elementos em suas obras e encontrando mais prazer ao produzi-las.

“At the beggining of the project I drew the eyes (as) balls, the second I draw the eyes different. I learnt because I saw my eyes.” (Júlia H.)‏

Nesse trabalho as crianças aprenderam uma série de conhecimentos em arte que se relacionam a outras áreas do conhecimento e que as ajudaram a desenvolver-se de modo integral. Em um trecho da avaliação feita pela professora, colocada no portfólio de um aluno junto com suas atividades de desenho, alguns desses aprendizados foram evidenciados:

"Os momentos de troca e parceria contribuíram para que Marcelo e seus amigos começassem a perceber alguns detalhes que estão presentes no nosso rosto e fazem com que sejamos diferentes um dos outros. Através desses momentos de observação e de apreciação de outras obras de diferentes épocas e técnicas, as crianças começaram a utilizar o seu novo conhecimento em suas próprias produções, pois sabemos que a Arte é um produto da criatividade humana que, mediante conhecimentos, técnicas e um estilo todo pessoal, transmite uma experiência de vida ou uma visão de mundo, expressando verdades humanas e despertando emoções em quem a usufrui.
Luana: “Nossa, there’s a small ball in my eye, and it’s darker.”
Lucas: “Meu cabelo é bem claro, né?” (Lucas estava puxando conversa com a amiga Júlia H. ao se olhar no espelho e ver suas características físicas).
Júlia H: “Yes, but my hair is bigger”.
Priscilla: “I like my hair because it’s black. I’ll have to use a black pen to draw my hair.”
Bárbara: “A mouth da Ari is very big”.
Júlia P: “My nose has two balls, I think it’s funny. Look” (Júlia estava pedindo para Marcelo e Priscila olharem para dentro do seu nariz).
Marcelo: “My nose is big.”
Observando seu caderno de desenho, podemos perceber que Marcelo utilizou seu novo conhecimento em suas últimas produções, prestando cada vez mais atenção nos detalhes e nas formas. Além disso, sua coordenação motora está cada vez mais desenvolvida, apresentando avanços significativos no controle de seus movimentos e no tremor da linha. Entretanto, percebo que Marcelo utiliza muita força para segurar o lápis, fazendo com que se canse com mais facilidade e rapidez durante uma atividade. Procuro conversar com ele e mostrar que existem diversas maneiras que ele pode utilizar para segurar um riscante qualquer e que ele deve optar pelo que mais o agrada e lhe dê segurança.


A competência comunicativa das crianças varia muito, principalmente em função do tempo em que freqüentam a escola. Mas como podemos ver no excerto acima, as crianças conseguiram se apropriar da segunda língua e utilizá-la para expressar suas ideias e conhecimentos.

O aprendizado dos conteúdos trabalhados pela professora em artes se relaciona com o desenvolvimento das crianças como um todo, seja na construção de sua consciência corporal, no desenvolvimento psicomotor, na percepção e na atenção, na linguagem oral e na socialização. Isso não significa que a arte deve estar subordinada a outras exigências de formação das crianças, mas sim que o desenvolvimento infantil é integrado de tal forma que a ampliação de conhecimentos sobre artes (como em outras áreas) se reflete na formação da criança como um todo.

"Além do conhecimento de si mesma, que a criança tem ao desenhar, ganha compreensão do mundo. Ela desenha porque existe desenho no mundo. Aprende a ver e a executar o que vê. Tende a assimilar níveis de conhecimento e produção artística e estética cada vez mais complexos, agindo sobre os objetos de conhecimento (desenhos) de diversas culturas, tempos e lugares" [IAVELBERG, 2006].

Reflexões sobre o trabalho

Um projeto didático prevê uma grande participação das crianças na resolução de situações-problema, na proposição de atividades e na definição dos caminhos a seguir. Conosco, aconteceu de o projeto que inicialmente tinha sido pensado para durar um semestre e envolver as linguagens do desenho e da pintura, ganhar tridimensionalidade, saltando da superfície do papel para o espaço, e se prolongando pelo segundo semestre para estudarmos a modelagem e a escultura.

Essa guinada se deveu à descoberta, pela professora, das obras de Sandra Guinle, que tinham sido expostas no ano anterior em São Paulo na mostra “Cenas Infantis”. Encantada com a delicadeza das esculturas e com a temática da vida das crianças, a professora quis trazer aos seus alunos a oportunidade de conhecer esta artista.

Como no momento da realização do projeto não havia obras de Sandra Guinle expostas, foi através do site que as crianças puderam conhecer suas obras que retratam as brincadeiras e o dia-a-dia de crianças em esculturas de bronze de grande simplicidade e delicadeza.

Estabelecer uma comunicação com a artista através de e-mails aproximou as crianças da idéia de que o artista é uma pessoa real, alguém com uma história presente, e que elas também podem, se quiserem, tornar-se artistas no futuro. Sandra foi muito receptiva e acessível, e quis também ver o trabalho das crianças, que foi enviado por e-mail.

Este projeto foi se modificando durante seu percurso, e enriquecendo-se com o envolvimento das crianças e da professora. A reflexão permitiu que um equilíbrio fosse buscado: quando os desenhos das crianças começaram a mostrar um compromisso muito grande com a realidade representada, tanto em termos de formas quanto de cores, a sensibilidade da professora trouxe obras menos comprometidas com a verossimilhança entre a arte e a natureza, como Miró. Assim, buscou-se apresentar uma variedade de elementos da arte de que as crianças poderiam lançar mão em suas produções sem perder de vista suas características pessoais e seu pensamento de magia e fantasia.

Vimos o quanto o papel do professor como pesquisador é essencial na construção de seu percurso profissional e na realização de um trabalho sério e consistente em sala de aula. Procuramos superar a visão tradicional e utilitarista que coloca a arte a serviço de outras disciplinas, sem cair na tendência espontaneísta de simplesmente deixar que as crianças explorem materiais livremente e descubram por si o que há para aprender sobre artes.

Reconhecemos que esta mudança de paradigma implica pelo menos duas dificuldades: A primeira é que nós mesmas, como professoras, não vivenciamos um percurso autoral de construção de conhecimentos sobre artes em nossa educação escolar, e carregamos conosco nossas vivências como alunas, que precisamos superar. A segunda é que dá muito trabalho perceber e preencher possíveis lacunas de nossa formação docente, aprendendo mais sobre didática da arte, história da arte, abordagem de ensino integrado de língua e conteúdo. Porém, decidimos enfrentar estes desafios, imbuídas da certeza de que podemos fazer um bom trabalho com nossos alunos.

"Desde a educação infantil podemos propiciar um universo rico de aprendizagens em desenho, expandindo o universo cultural das crianças, trabalho que pode seguir orientado pelas ideias em ação das crianças. Essas ideias, motores dos atos de desenho, são construídas, primordialmente, na prática desenhista e na interação de cada um com a diversidade dos desenhos presentes nos ambientes."(IAVELBERG, 2006)

Quisemos compartilhar nossa experiência com outras professoras acreditando no poder da troca, da partilha e da construção conjunta de conhecimentos. Conhecemos os desafios enfrentados pelos que ainda ousam educar, mesmo em meio a tantas dificuldades enfrentadas no exercício de nossa profissão.

Partilhemos nossas dúvidas, nossas angústias, nossas críticas e aflições, pois se é o diálogo que nos mantém vivos, como dizia Paulo Freire, é o diálogo com os colegas que nos faz professores. Esta pode ser a mais difícil, mas é, com certeza, a mais necessária das profissões. Não vale a pena acreditar que podemos transformar tudo. Não podemos. Não vamos conseguir criar uma escola que vai salvar a sociedade. Mas quem é professor não deixa nunca de acreditar, sabe que renunciar às ilusões não quer dizer renunciar às diferenças. Significa nunca deixar de ter esperança [NÓVOA, 2004].

Referências:

BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. Secretaria de Educação Fundamental. Referencial curricular nacional para a educação infantil. Brasília, MEC/SEF, 1998
DERDYK, Edith. O desenho da figura humana. 2 ed. São Paulo, Scipione, 2003.
IAVELBEG, Rosa. O desenho cultivado na criança: prática e formação de educadores. São Paulo, Zouk, 2006
MEHISTO, Peeter, MARSH, David e FRIGOLS, Maria Jesus. Uncovering CLIL: Content and language in bilingual and multilingual education. Oxford, Macmillan, 2008
MOURA, Selma de Assis. Quem de repente aprende: uma experiência de formação continuada em artes com professoras polivalentes na educação infantil. Revista Digital Art&. Disponível em http://www.revista.art.br/site-numero-10/trabalhos/18.htm
MOURA, S. M. Arte-educação para quê? Razões para ensinar arte. In: INSTITUTO ARTE NA ESCOLA. Monografias e Teses. Disponível em http://www.artenaescola.org.br/pesquise_monografias_texto.php?id_m=241
NÓVOA, A. Os professores na virada do milênio: do excesso dos discursos à pobreza das práticas. Educação e Pesquisa, São Paulo, v. 25, n. 1, p.11-20, jun 1999.
ZABALA, A. A prática educativa: como ensinar. Porto Alegre: Artmed, 1998.

Sites:
www.sandraguinle.com.br
http://educacaobilingue.blogspot.com

sábado, 2 de maio de 2009

Reflexões sobre “Hermes e Dionísio” , de Praxíteles

Selma de Assis Moura

“Graças à Excelência de seu talento, Praxíteles não é desconhecido de homem nenhum, não importa quão inculto”
(Marcus Terentius Varro, séc I a.C.)




O Museu do Louvre exibiu, até meados de junho de 2007, uma exposição sobre Praxíteles que incluía “Hermes e Dionísio”, escultura aceita como original de Praxíteles, entre diversas cópias romanas de esculturas como a “Afrodite de Arles” e “A Afrodite de Cnidus”. Essas estátuas de Afrodite inspiraram muitas cópias romanas, também belíssimas, que nos instigam a querer conhecer o original de Praxíteles. Há lendas de que os homens se apaixonavam por elas, de reis que em vão ofereciam suas fortunas à cidade para tê-las!

O que chama tanta atenção em nossos dias nessas obras de mais de 2400 anos? Por que permanecem tão admiradas, despertam curiosidade e interesse? Talvez a resposta esteja na necessidade eterna do ser humano de auto-conhecimento, e elas permaneçam atuais por sua investigação do que é essencialmente belo em cada um de nós.

A Grécia já foi chamada inúmeras vezes de “berço da civilização ocidental”, pois seu legado histórico influenciou de tal modo as concepções de arte, filosofia, matemática, política, entre outras áreas do conhecimento, que não se pode conceber como seria nosso mundo atual sem as suas influências. E apesar de poucas obras de arte originais terem chegado até nós, forçosamente perceberemos que suas idéias se propagaram por toda parte, e podem ser vislumbradas em nosso dia-a-dia.

O aperfeiçoamento da técnica era caro aos artistas gregos, para quem o conhecimento dos materiais e a maestria em seu domínio refletiam a perícia e a habilidade de dar è pedra dura e perene um caráter transcendente, em que ela não era mais pedra, mas a própria imagem representada.

Para os gregos, a arte é uma forma de conhecimento do mundo, e essa visão é o legado que deixaram às gerações posteriores. Assim como o filósofo chega à verdade através do exercício do pensamento, os artistas gregos – que até então eram tidos como artesãos, “technites” – chegam à verdade através da representação. A partir de então o status do artista muda, ele adquire prestígio social, porque sabe fazer algo que os outros não sabem.

Através de sua observação da natureza e da compreensão daquilo que lhe é permanente – a proporção, a geometria – os gregos passam a buscar a harmonia e a verossimilhança com a realidade. O escultor preocupa-se com a textura da pele, a anatomia do corpo, o movimento retesando os músculos, a cor dos olhos.

Na temática da rica mitologia grega, a escultura adquire um caráter narrativo, feito para educar quem as contempla sobre os valores da sociedade. Os gregos foram o primeiro povo a elevar o caráter da figura, dando-lhe o mesmo status da palavra.
Pensando sobre a arte grega, e como ela se relaciona à arte-educação em nossos dias, eu quis refletir sobre a escultura “Hermes e Dionísio”, de Praxíteles, uma das poucas obras originais que chegaram aos nossos dias.

Por que escrever sobre desta obra, que já foi objeto de estudo por séculos, a ponto de que dificilmente se poderá dizer algo de inédito sobre ela? Para ampliar minha própria compreensão e dizer minhas próprias palavras sobre sua importância. E para pensar nas possibilidades de um trabalho educativo com crianças e jovens, desenvolvendo a apreciação estética, percebendo as possibilidades de interpretação e sua relação com a arte e o mundo atual.

Também a figura de Praxíteles, cuja fama chegou até nossos dias, é instigante e curiosa; Ateniense, filho de Cephysodotus, também escultor, foi o escultor mais reconhecido no século IV a.C, alcançou riqueza e glória. Dizem que tinha o hábito de dar presentes caros aos amigos. Uma das histórias curiosas sobre ele, contada por Cícero, diz respeito a sua modelo e amante, Phynes, que também posava para outros artistas. Acusada de impiedade, foi trazida à corte, e teve suas roupas puxadas pelo seu defensor, que mostrou ao júri seus magníficos seios. Após uma brilhante defesa, ela foi perdoada.

Praxíteles inovou em suas obras ao criar esculturas que podiam ser vistas por todos os ângulos, polindo o mármore para dar-lhe uma textura aveludada semelhante à pele, fazendo uso da luz e da sombra e criando a primeira estátua de nu feminino em tamanho real, a Afrodite de Cnidos, que tinha a novidade de ser radicalmente diferente do corpo masculino. Ele criou uma composição que ficou conhecida como a “curva de Praxíteles”, que foi muito imitada no período helenístico. Essa composição pode ser vista na escultura Hermes e Dionísio, à qual dá um movimento de graça e naturalidade.

Esta escultura em mármore, descoberta em Olympia em 1877, representa Hermes, mensageiro dos deuses, segurando Dionísio, deus das festas e do vinho, ainda criança, carregando-o afetuosamente. O braço direito, que se perdeu, trazia um cacho de uvas que Hermes oferece a Dionísio, para despertar sua curiosidade.

A figura de Hermes domina a composição. Seu corpo esguio deixa transparecer no mármore a musculatura em movimento, a textura da pele, a placidez do olhar, o gesto da mão que segura o deus-menino. O pé esquerdo levemente erguido e o tronco suavemente arqueado para a esquerda traduzem com leveza o que seria um momento de descontração. As feições são suaves, sem traduzirem uma emoção explícita, e evocam o ideal de beleza, perfeição e equilíbrio típicos da arte grega no período clássico.


Segundo Gombrich, é errôneo pensar que Praxíteles e outros escultores gregos criassem a perfeição através da observação de muitos corpos, dos quais descartavam qualquer característica que os desagradasse, fazendo uma cópia aperfeiçoada do real e idealizada da natureza. Gombrich chama nossa atenção para o caráter humano das esculturas, como se pudessem mesmo respirar, e atribui essa humanidade das esculturas ao delicado equilíbrio alcançado pelos artistas gregos entre o típico e o individual, “como seres humanos de verdade, mas ao mesmo tempo, como seres humanos de um mundo diferente e melhor”. A mímesis constituía não apenas em uma imitação da natureza, mas em uma representação daquilo que ela tem de permanente. É a idéia de homem, o conceito, mais que um homem específico que se quer representar.

Contudo, levará ainda algum tempo para que a arte grega passe a esculpir as características pessoais de um indivíduo no mármore. Para Praxíteles ainda não se colocava a possibilidade da escultura como retrato.

Dionísio, por sua vez, estende o braço na direção das uvas e ergue o olhar levemente para o alto, como que ansioso para alcançá-las. De seu corpo pende um drapejamento que prossegue até a base da escultura, feito para contrabalancear o peso do braço estendido de Hermes, agora perdido, dando equilíbrio à estátua. Dinísio parece um adulto em miniatura, pois Praxíteles ao esculpi-lo aplicou as mesmas proporções deu um corpo adulto. É interessante notar que muitos observadores leigos valorizam nas estátuas gregas sua aparência de realidade, sua verossimilhança com a natureza. Ao observar Dionísio podemos questionar se esse era, de fato, um objetivo do artista. Praxíteles, cuja habilidade fica evidente no conjunto dessa obra, poderia ter representado um bebê rechonchudo se assim o desejasse. Seu Dionísio não se parece com uma criança pequena real porque assim o escultor desejava.

O conjunto da escultura é harmônico, gracioso. Os dois personagens olham um em direção ao outro, criando um cenário de afetuosidade. Não há um elemento explicitamente divino: ao retratar os deuses em uma passagem mítica, Praxíteles os identifica com os homens. Belos, harmoniosos, serenos, mas ainda assim humanizados. É de se imaginar o efeito que esse tipo de representação causava em seus contemporâneos, ao mesmo tempo que, conhecendo a mitologia grega, sabemos das paixões, das ações e do caráter mundano dos deuses.

E é justamente pelas histórias dos deuses e deusas que eu proporia uma aproximação das crianças com a arte grega. Pensando em meu contexto de atuação – a educação infantil e os primeiros anos do ensino fundamental – faz muito sentido propor às crianças o conhecimento dos mitos que formaram a base do pensamento ocidental, identificando familiaridades com o que vivem em seu dia-a dia.

Partindo da leitura da obra “Hermes e Dionísio”, poderia-se propor às crianças que pesquisassem nos livros da escola, na internet e em casa, histórias da mitologia grega e, a partir dessa pesquisa, introduzir outras obras e suas histórias, tais como Laocoonte e Athena Partenon, de Fídias. Poder-se ia também montar uma linha do tempo marcando os principais eventos que as crianças conhecem (tais como a existência dos dinossauros, o surgimento dos homens das cavernas, o nascimento de Jesus, o tempo dos castelos medievais, os dias atuais, etc) e nessa linha contextualizar o período de produção das obras, formando uma noção temporal e histórica.

A partir dessa introdução poderíamos programar momentos de leitura de alguns mitos gregos, tais como: Ìcaro, Narciso, Posseidon, Atena, Afrodite, Ártemis, Perseu e Medusa, Heracles, Os Argonautas, entre outros. As crianças identificarão personagens com os quais já têm contato através de desenhos animados e filmes infantis, percebendo qual é a origem desses personagens.

Em momentos de apreciação de fotos das obras podemos discutir as formas, cores, materiais empregados, modo de produção, e exercitar com as crianças a escultura em pedaços de mármore (que seria bastante duro e difícil para elas) e em tijolo (mais mole e poroso), para que percebam que o modo de produção das esculturas gregas difere do que estão habituados na escola, pois retira materiais ao invés de acrescentá-los (como ocorre com a modelagem em argila ou massa de modelar), além de conhecerem os desafios que o material coloca ao artista.

São muitas as possibilidades de trabalho que permitam às crianças conhecer e apreciar a arte ao longo do tempo. Conhecer a arte grega antiga é indispensável para a compreensão da arte como um todo e da cultura ocidental até hoje.

Referências:
Durando, Furio. A Grécia Antiga. Coleção Grandes Civilizações do Passado. Barcelona, Ediciones Folio.
Gombrich, Ernst. A História da Arte. LCT Editora
Museu do Louvre, visita virtual à exposição: http://mini-site.louvre.fr/praxitele/index_flash_en.html
Grécia Antiga: http://greciantiga.org/art/
Indicações de Leitura para as crianças:
Lobato, Monteiro. O Minotauro. Brasiliense
Lobato, Monteiro. Os Doze Trabalhos de Hércules. Brasiliense.
Figueiredo. Lenita Miranda. História da Arte para Crianças. São Paulo, Pioneira.
Pouzadoux, Claude. Contos e Lendas da Mitologia Grega. São Paulo, Companhia das Letras.
Bernardino, Adriana. A Beleza de Narciso. FTD.
Bernardino, Adriana. O Sonho de Ícaro. FTD.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Criança e Arte-Educação

Trupe Ortaética de Teatro Performático - 2009

Inscrições abertas para novos integrantes
INSCRIÇÕES ATÉ28/02

O teatro é uma experiência enriquecedora, colabora no desenvolvimento do ser humano, independente se o jovem tem ou terá relações profissionais com a arte; pois a cultura é saudável para todos.
Temos 4 turmas de teatro e você pode fazer parte de uma delas:
Obs.: Tudo é totalmente gratuito!!!
Mas cobramos o valor das idéias, o amor incondicional pelas artes e outros valores que não tem preço!
PARA INSCRIÇÃO DE MENORES UM DOS RESPONSÁVEIS DEVERÁ ACOMPANHÁ-LO PARA ASSINAR. É INDISPENSÁVEL 01 FOTO 3X4.

OFICINA TEATRAL
Turma A
PERÍODO: TARDE
Quintas-feiras das 13:30 às 16h
Adolescentes de 12 a 17 anos
35 VAGAS

OFICINA TEATRAL
Turma B
PERÍODO: NOITE
Quintas-feiras das 19h às 21h
Adolescentes e Adultos de 12 a 100 anos
35 VAGAS

OFICINA TEATRAL
Turma C
PERÍODO: MANHÃ
Sábados das 08h às 10h
CRIANÇAS de 07 a 11 anos
25 VAGAS

OFICINA TEATRAL
Turma D
PERÍODO: MANHÃ
Sábados das 10h às 13h
Adolescentes e Adultos de 12 a 100 anos
50 VAGAS

Conteúdos, Abordagens e Projetos Artísticos vinculados às aulas:
Aquecimento, Alongamento, Jogos Teatrais, Dinâmicas, Improvisações, Cenas/Esquetes, Exercícios de Voz/Dicção, Expressão Corporal, Relaxamento, Intervenções Urbanas, Performances de Rua, Ensaios, Pesquisas Formais e Informais. Aula-passeio, Visitas à centros Culturais e espetáculos teatrais. Produção do Espetáculo de Pantomima: “PERFEIÇÃO???”

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· Visitem nossas comunidades : “Vacinação contra o mau humor” e “Trupe Ortaética”
· Vejam nossos vídeos no Youtube e comentem os tópicos do nosso BLOG:
www.trupeortaetica.blogspot.com

Professor Tiago Ortaet (Arte/Educador)
trupeortaetica@yahoo.com.br
Núcleo de Atendimento Comunitário MEU GURI
Avenida Guapira, 920 Tucuruvi – Tel: 2201-7479

Professor Tiago Ortaet
Arte/Educador
011 9686-9692 cel. 1 - Vivo
011 8052-1261 cel. 2 - Oi

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

ONG Meu Guri: Desenvolve a vida e valoriza a comunidade

Peço licença ao meu querido amigo Tiago Ortaet para reproduzir a matéria publicada em seu site sobre seu trabalho na ONG Meu Guri. Além de divulgar esse trabalho belo e importante que realmente faz diferença no dia-a-dia dessas crianças, das pessoas abordadas nas intervenções artísticas e nas comunidades, serve de modelo para outros educadores.
O post original pode ser lido em seu blog http://trupeortaetica.blogspot.com/
Abraço ao Tiago e às crianças do Meu Guri!
Selma Moura



Sábado, 13 de Dezembro de 2008
MATÉRIA PRODUZIDA PELO JORNALISTA FERNANDO DO PORTAL ZN NA LINHA 2008
MEU GURI: DESENVOLVE A VIDA E VALORIZA A COMUNIDADE
Av. Guapira 920, Tucuruvi 06/Nov/2008

Imagine-se recebendo uma "injeção de alegria" na saída do Metrô depois de um duro dia de trabalho, ou então um abraço solidário de uma pessoa desconhecida e ainda por cima fantasiada. Diferente não? Pois é, estas são apenas algumas das intervenções artísticas da oficina de teatro do Núcleo de Atendimento Comunitário Meu Guri.

Trupe Ortaética alegrando o Metrô

O Programa Meu Guri é uma rede não governamental de assistência social, que atua no pré-atendimento das famílias em vulnerabilidade, ou vítimas de violência doméstica e institucional, que são encaminhadas por órgãos de proteção aos direitos da criança e do adolescente, como o Conselho Tutelar. "A idéia é que essas famílias recebam um acompanhamento diferenciado, possibilitando detectar e solucionar seus problemas com intervenções menos complexas", afirma Luiz Pereira de Souza, um dos coordenadores do projeto.

Criado em Fevereiro de 2006, o Núcleo de Atendimento Comunitário no Tucuruvi, nasceu para atender as famílias da comunidade da região. E hoje, tendo como premissa orientar e dar apoio a essas famílias, o núcleo atende cerca de 300 pessoas por mês. São atendimentos nas áreas de assistência social, acompanhamento psicológico e na arte educação.

Estas ações, além de contribuir para o fortalecimento dos laços familiares, possibilitam o processo de emancipação e inserção social. O núcleo desenvolve também outras atividades, como no curso de costura, na oficina de teatro, com o bazar beneficente e o posto Primeiro Emprego, que presta atendimento diferenciado ao jovem que procura seu primeiro trabalho.

Núcleo de Atendimento Comunitário MEU GURI - Tucuruvi

A oficina de teatro do núcleo Meu Guri tem surpreendido os arte-educadores pelo novo formato no processo de educação e pela quantidade de pessoas interessadas. "O teatro de intervenção é muito saboroso. São pessoas comuns que querem intervir no cotidiano de maneira saudável", disse o professor Tiago Ortaet. "Para os alunos é uma grande festa, pois estar na rua é totalmente diferente do palco", ressalta.

Professor Tiago Ortaet Vc tem Fome d q???

A Trupe Ortaética, como carinhosamente ficou conhecida a oficina de teatro, realiza intervenções freqüentes em locais públicos, geralmente nas estações do Metrô, onde abordam temas relevantes de maneira lúdica, como: Vc tem Fome d q???; Estatuando; Campanha de Vacinação da Alegria e Abraços Grátis", entre outros. Portanto, além de oferecer alegria a muitas pessoas, a Trupe Ortaética transforma a vida de muitas crianças.

Núcleo de Atendimento Comunitário MEU GURI - Tucuruvi
Av. Guapira 920, Tucuruvi. Fone 2201-7479

Texto: Fernando Figueiredo
Fotos: Fernando Figueiredo e projeto Meu Guri
http://trupeortaetica.blogspot.com
www.znnalinha.com.br
Crédito da imagem: Tiago Ortaet, em http://trupeortaetica.blogspot.com/2008_11_01_archive.html

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Crianças do 2o ano fazem expedição fotográfica pela cidade de São Paulo


Essas fotos foram tiradas pelas crianças do 2º ano na Play'sCool International School, em uma expedição fotográfica da turma pelo centro de São Paulo.

Essa atividade fez parte do projeto "São Paulo: Kaleidoscopic City" (Cidade Caleidoscópio) que as crianças fizeram integrando Artes e Estudos Sociais.

Fotografia é arte?

Como ocorre com a maioria das pessoas, confrontadas com a pergunta "O que é arte?" as crianças não pensam imediatamente em fotografia. Por isso, partimos da apreciação de algumas fotos de Gal Oppido (www.galoppido.com.br) para desenvolver um olhar sensível ao que o fotógrafo escolheu mostrar em cada foto. E as discussões foram muito interessantes!

Em paralelo, as crianças puderam manusear uma câmera digital, experimentando e descobrindo técnicas de enquadramento e iluminação, escolhendo temas para fotografar e conversando entre si sobre as fotos que faziam.

Paralelamente, foram fazendo pesquisas sobre a cidade a partir de imagens de jornais, da internet, de cartões-postais e de fotografias que trouxeram de casa.

Depois disso tudo, é hora de sair pela rua e fotografar... eis a origem das fotos acima!

(Minha parte foi a montagem dos slides para o blog.)

Selma Moura

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Festival Nacional Capoeira sem Fronteiras - de 12 a 14 de dezembro

FESTIVAL NACIONAL CAPOEIRA SEM FRONTEIRAS DIAS 12/13/14 DEZEMBRO 2008

CURSO COM MESTRE CAPIXABA (ES)

PROGRAMAÇÃO

DIA 12/12/08
Curso Capoeira: MESTRE CAPIXABA
HORÁRIO: 19:00 ÁS 22 :00
LOCAL: Escola Prof. Flávio J. O.. Negrini – JD Olinda/SP

DIA 13/12/08
Curso Capoeira: MESTRE CAPIXABA
HORÁRIO (manhã): 10:00 ÁS 12:00
HORÁRIO (tarde): 15:00 ÁS 18:00
LOCAL: Escola Prof. Flávio J. O.. Negrini – JD Olinda/SP

DIA 14/12/08
RODA NO PARQUE DO IBIRAPUERA- SP
HORÁRIO :10:00 ÀS 12:00

FESTIVAL NACIONAL CAPOEIRA SEM FRONTEIRAS
BATIZADO E TROCA DE CORDAS CAPOEIRA, MACULELÊ E SAMBA DE RODA
HORÁRIO: 15:00 ÁS 17 :00
Local: Escola Prof. Flávio J. O.. Negrini

INGRESSO: 1 kg de alimento não perecível.

LOCAL DOS CURSOS
ESCOLA ESTADUAL PROF J.O. NEGRINI
RUA : CASIMIRO 66 , BAIRRO JARDIM OLINDA, SÃO PAULO SP , TEL 11 8149 7901 , 8634 8481

Mais Informações visite o site: www.capoeiracapaz. org.br

EDUARDO AREIAS
TEL [11] 8149 7901

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

आर्टनो तेर्सिरो सेटर


PERFORMANCE “SOB CONTROLE”
Remotações Urbanas


Provocação é nosso sobrenome, que não por acaso rima com descontração, manifestação e outras tantas nomenclaturas que as pessoas queiram nos dar.
Ousadia de cada dia!
Todos que se aproximam mergulham nessa alegria. A tristeza conosco ganhou alforria e se despediu da monotonia, agora já refeita e titulada de alegoria.
A Trupe Ortaética de Teatro Performático NÃO orgulhosamente apresenta:
Sociedade dirigida! Guiada e Remexida!
Remexemos os sentidos das coisas; essa é nossa conceitual função!
Remotação!
Qual controle remoto que controla sua escolha? Qual detergente tão forte que lhe aprisiona nessa bolha? Quem lhe obriga a fazer a pose alheia na grande foto? Quem lhe intima a decidir seu voto? Oh sociedade do controle remoto!!!
Sair por aí revelando isso é como ganhar na loto!
“Você luta contra o sistema mesmo dentro dele, por isso não podemos receber títulos de extra-terrestres, pois tudo que criticamos também nos aflige e nos corrói. O importante é que sabemos onde encontrar a dose que apazigua e sana a monotonia; ou a super-dosagem que valida os créditos da autonomia”
Hoje não é só dia de alegria, já pensante abordava a filosofia nua e crua, filosofia de rua.

São Paulo, 18 de Setembro de 2008

Tiago Ortaet
Arte/educador

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Convite para a Mostra de Arte Infantil



Mostra de Arte - PLAY'SCOOL International School

Uma mostra de arte infantil sob o tema "Arts and Feelings" ("Artes e Sensações/Sentimentos"), em que as crianças mostram suas reflexões e seu percurso de descobertas nas linguagens do desenho, da pintura e da instalação e da fotografia, no trabalho desenvolvido em Artes Visuais ao longo do ano.

Onde? PLAY'SCOOL International School - Av. Sumaré, 1898 - Perdizes - São Paulo - SP
3675-5666 e 3871-3255

Quando? 06/12/2008, às 09:00h

Quanto? Grátis (se quiser, leve um livro infantil para a biblioteca da ONG Capoeira Capaz)

Maiores informações: www.playiscool.com.br | pedagogico@playiscool.com.br

domingo, 30 de novembro de 2008

Itaú Cultural apresenta crianças do Núcleo de Recreação e Cultura do Instituto Alana

(Clique na imagem para ampliá-la)

NURECA no ITAÚ CULTURAL 20:00 - 01/12/2008Os 300 alunos do Núcleo de Recreação e Cultura do Instituto Alana farão uma mostra de encerramento de suas oficinas, no Itaú Cultural, dia 1° de Dezembro, próxima segunda-feira. As apresentações acontecerão na Avenida Paulista, n° 149, próximo à Estação de Metrô Brigadeiro.

O espetáculo terá início às 20h e duração de 2h e trará trechos de poesias, cordel, teatro, capoeira, maculelê, coral, flauta, violão e uma participação especial do Grupo Alana de Percussão e Banda.

Programação:
POEMA - Passarinheiro – Apresentação dos alunos de estudo da língua
TRENZINHO CAIPIRA (Heitor Villa Lobos) Flauta e violão
ERA UMA CASA (Vinicius de Moraes) Apresentação dos alunos de coral infantil e violão
LUAR DO SERTÃO (Luiz Gonzaga ) Violão
HISTÓRIA – Apresentação de texto produzido pelos alunos sobre trechos de diversos contos do folclore brasileiro
TEATRO – CURUPIRA - Adaptação escrita pelos alunos de 06 e 07 anos do conto folclórico
CORDEL - Estrofes em formato cordel produzida e interpretada por alunos de 13 e 14 anos após vivência com cordelista Costa Senna no Espaço Alana
BOI e CABOCLINHO- Misto de dança, coral e percussão com diversas turmas que estudaram o Boi Bumbá e Bumba Meu Boi (referência maranhense)
FREVO – Dança de alunas de 11 e 12 anos
O QUE É, O QUE É? – Resultado de investigação sobre procedimento de pesquisa e gêneros de texto oral e escrito
TEATRO: MISSA DOS MORTOS – Adaptação do Curupira, porém com alunos de 14 e 15 anos.
RODA DE VERSOS – Brincadeira de roda de versos, escritos com a professora de estudo da língua, e musicados, com a professora de musicalização
CIRANDAS – Fusão do trabalho de cantos de brincadeira e jogos do professor de jogos
JORNAL – Montagem de telejornal esportivo
CAPOEIRA – Mostra do trabalho realizado ao longo do ano com o professor de capoeira com foco em arte, proteção, esquiva e auto-controle
MACULELÊ – Vertente do trabalho de capoeira e percussão


Horário
20:00 às 22:00 - 01/12/2008

Local - Itaú Cultural
Avenida Paulista, nº149 - Bela Vista - São Paulo - SP

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Arteirinhos e Arteirões do Professor Ortaet


Meu grupo de alunos (são mais de 80 em 5 diferentes grupos) da ONG MEU GURI são parte integrante e fundamental da TRUPE ORTAÉTICA DE TEATRO PERFORMÁTICO que desenvolve ações teatrais, intervenções de rua e performances na cidade de São Paulo.
Conheçam um pouco mais da "ARTE/EDUCAÇÃO E SUAS RELAÇÕES SOCIAIS" nos nossos canais de comunicação virtual:
www.trupeortaetica.blogspot.com
No orkut e youtube basta digitar por Tiago Ortaet ou o próprio nome do grupo...
Abraços Artísticos a todos e um especial a "mantenedora de potencial sabedoria" minha amiga Selma Moura, digna de toda adimiração! ***Ainda trabalharemos em algum projeto juntos por esse mundão a fora! Saudades!
Tiago Ortaet
tiagoortaet@yahoo.com.br

sábado, 25 de outubro de 2008

Oficinas de graffiti-RJ





O Philosoffiti, oficina de graffiti idealizada pela artista plástica e arte-educadora Lya Alves (Rota das Artes de Niterói) para o Projeto Social Trindalata,é um projeto artístico que utiliza o graffiti como veículo de inclusão social, geração de renda e democratização cultural para comunidades carentes. Funcionando desde junho/2008, oferece à população 5 oficinas de graffiti em Niterói. O curso inclui aulas práticas, teóricas e saídas pra eventos de hip hop e grafitagem.

PROJETO PHILOSOFFITI OFICINAS DE GRAFFITI
Prof.: Lya Alves (Rota das Artes).
Duração do curso: 3 módulos de 4 meses ( total: 12 meses).
Público-alvo: crianças de 9 a 12 anos, adolescentes e adultos.
Inscrições abertas
Gratuito


ASSOCIAÇÃO E ESCOLA FLUMINENSE DE BELAS ARTES – AFBA
Local: Instituto de Arte e Comunicação Social da UFF -Rua Lara Vilela, 126 - São Domingos
Dia: TERÇA-FEIRA 14:00 às 16:00h
Info: (21)2622-6745/(21)2629-9783 / (21)2629-9784

CENTRO COMUNITÁRIO SOCIAL DE PIRATININGA
Local: Rua Acúrcio Torres, esquina com rua 14 - Piratininga
Dia: QUARTA-FEIRA 14:00 ÀS 16:00 horas
Info:(21)2608-4058

PROJETO IDE
Local: Rua Mário Vianna, 302 – Santa Rosa
Dia: QUINTA-FEIRA de 14:00 às 15:30 horas
info:(21)3603-3655

ASSOCIAÇÃO INTERNACIONAL NOVO TEMPO
Local: Estrada Caetano Monteiro, 164 sobreloja 203 – Pendotiba
Dia: QUINTA-FEIRA, de 16:00 às 18:00 horas
Info:(21)2616-1727

PROJETO SOCIAL ANTIOQUIA
Local: Rua 38 – Piratininga - Niterói
Dia: SEXTA-FEIRA 14:30 às 16:30 horas
Info:(21)2619-2239

Contatos:
Lya Alves, artista plástica e autora do Projeto (21) 2609-8275/ (21)9489-1125
lyamac76@yahoo.com.br


terça-feira, 30 de setembro de 2008

Estudo das Cores

Estudo das cores

Eu estava cansada. Mil coisas para fazer. Acabara de entregar um quadro para exposição, e já estava pensando em como resolver a decoração do atelier. Ainda tinha a entrevista no canal 36. E a reunião sábado? Militância artística na quarta. Aluna nova que vem de Botafogo. Turma iniciando em Santa Rosa. Saiu em que jornal mesmo, hein? Tenho que comprar material pra grafitar o Abrigo. Pegar autorização para levar os alunos. Será que cabe todo mundo numa van?

Assim estava minha cabeça enquanto eu saía do Horto Viveiro na UFF. Peguei a litorânea, desci a pé. Passei pela Praia da Boa Viagem, cheguei no MAC, e segui descendo. Então, de repente fui acometida de um êxtase artístico. Dei-me conta de que estava andando a pé, de chinelo de dedo, numa tarde ensolarada, na Beira da Praia. A onda batia tão perto do calçadão que respingava no meu rosto.

Então tentei continuar com meus pensamentos, mas não dava para ignorar o mar à minha frente. As ondas batiam no calçadão como se me provocassem: "Ei, vem aqui”. Então esqueci de todas aquelas coisas na minha mente e fiquei observando o sol, o mar, o céu azul. O vento gelado na minha pele, o barulho do mar. Fiquei emocionada. E em silêncio comigo mesma. As milhões de preocupações na minha mente silenciaram e eu só ouvi o mar.

Então comecei a ter o desejo de compartilhar aquilo com meus alunos. Imaginei. Eu podia ministrar o estudo das cores do Israel Pedrosa, aqui. Falar sobre a cor inexistente ali no MAC. Branco daquele jeito, vai ser fácil observar cores inexistentes ali. Depois a gente desce e olha as ondas. Quantos tons de azul têm nas ondas de um dia ensolarado? Além dos verdes, cinzas e também os marrons da areia. E o “Marrom Van Dick” da Pedra de Itapuca? Os edifícios me inspiram para um abstrato. E as texturas? Eu podia pedir-lhes para pintar o som das ondas da Praia da Boa Viagem, que não é o mesmo som da Praia de Icaraí.

Então, com tudo isso me maravilhando, a uns cinco metros de mim, uma onda explodiu nas pedras e criou um maravilhoso arco-íris diante de meus olhos. E as ondas seguintes também. Uau! Que estudo de cores maravilhoso: Cores dióptricas. Lembrei de Descartes: "A luz é uma matéria fina e sutil que se propaga por toda a parte e que fere nossos olhos. As cores são sensações que Deus excita em nós, segundo os diversos movimentos que trazem essa matéria aos nossos órgãos”. Mas Deus provocaria novamente aquele arco-íris ali? Talvez eu não possa mostrá-los ali a cor dióptrica, mas apenas a inexistente, e as outras mais simples de achar. Que importa? O mar continua batendo.

Voltei aos meus pensamentos. Será que consigo um ônibus para levar as 6 turmas na praia? Será que vão liberar? Preciso conseguir um passeio no museu e depois na praia em dia de semana, que é mais vazio. Preciso pegar autorização para levar os alunos. Será que cabe todo mundo numa van?

A hora do recreio acabou.

Levantei e fui para casa.

Lya Alves
Projeto Philosoffiti
http://graffitievangelista.blogspot.com
lyamac76@yahoo.com.br

domingo, 28 de setembro de 2008

Quem tem medo do medo??? Texto poético teatral co-autoria alunos do Ensino Fundamental da Prefeitura de S. Caetano do Sul


ARTE/EDUCAÇÃO EM AÇÃO...

A seguir uma obra poética produzida através de trocas de opiniões, debates, textos e cenas nas aulas de Artes Cênicas que ministro aos alunos de São Caetano do Sul, uma experiência muito significativa na concepção de arte/educação reflexiva com crianças.

Fui o mediador das falas dos alunos e estruturei o texto que inicialmente tinham 10 linhas e a partir disso fomos criando essa história aventureira! Viajamos na fantasia e foi validado planamente o universo infantil... Eles decidriam o início e o fim da história que brevemente se transformará em livro infantil, escrito prioritariamente a apartir do ponto de vista de quem entende bem do assunto: CRIANÇA!

QUEM TEM MEDO DO MEDO???

Otávio é um garotinho muito esperto, mas não sabe ao certo o que está por traz do escuro.
Ele desconfia que seja o gato preto que havia subido em cima do muro.
Ele sabe que no conforto do seu quarto não tem perigo, ele montou uma cabana bacana, cheia de cobertas, essa cabana é seu abrigo, lá é um lugar seguro.
Mas quando chega a noite lá fora vira um lugar escuro. Quem será que mora no escuro?
Otávio pensa em grilos e largatixas, esses bichinhos que vivem no quintal.
No escuro do quintal também moram formiguinhas e cigarras que não fazem nenhum mal.
Certa noite chovia muito, o menino sempre alerta correu pra sua cabana, mas esqueceu a porta aberta e a lanterna em cima da cama.
O vento que balançou a cortina soprou forte e fez um barulhinho...
O garotinho ouviu um grito fino e estridente parecido de menina, correu de volta para seu esconderijo e abraçou seu ursinho.
Era o urso “ALFE” seu protetor, seu amiguinho.
Olhou pela janela e as árvores balançavam na esquina
Otávio preocupado chamou seu papai...
O menino ouviu um uivo de lobo do lado de fora
Tentou acender a luz!
A lâmpada que não acendia
Seus olhinhos arregalados e aquele susto que arrepia
Olhou a hora!
Pensou:
- Meu pai e minha mãe não ouviram muito bem, vou dar um grito!
- Mamãeeeeeeeee!!!!! Papaiiiiiiiiiiiii!
Seus pais chegaram ao quarto assustados
- O que houve filho, por que essa gritaria?
Otávio respondeu:
- Eu estava com medo dos barulhos que estão vindo lá do quintal.
Seu pai teve uma idéia bem legal:
- Meu filho, vou ler para você uma poesia especial.
Há muito tempo atrás um escritor bem divertido inventou essa poesia que parece um samba-enredo, ele ficou escrevendo da noite até no outro dia bem cedo; o nome do livrinho é “Quem tem medo do medo???”

Esses são os versos das crianças corajosas
De crianças inteligentes e cheias de educação
Letras que apresentam histórias caprichosas
Versinhos que parecem uma canção.
Onde moram nossos sentimentos?
Dentro da gente não é Zé Mané?
É o que é! É uma movimentação!
O que tem de bom na nossa imaginação?
O medo é uma ponte quebrada que pode me fazer cair
É uma porta trancada que não me deixa sair
É uma rua não asfaltada que me faz escorregar
É uma escuridão danada que não me deixa enxergar
É uma garota assaltada gritando pra alguém ajudar
Eu tenho medo desses programas que mostram defuntos na TV
Acho que isso é falta de assunto e nem sei pra quê.
Qual é a cor do medo?
Preto, Vermelho, Cinza ou Roxo? É uma cor que nunca vi...
Como ele se apresenta?
Bem devagarzinho, correndo ou coxo? Nem tenho mais medo, acabei de rir...
Que cheiro ele tem? Acho que é fedido...
Ele vem assustando com uma história misteriosa e lenta... Faz meninos e meninas correrem e cada olhinho aumenta!
Meu pedido foi atendido... Não to mais com medo não; percebi que é só apertar a minha mão.
Qual é o jeito que o medo vem?
Jeito esquisito... Mas meu pai já elogiou minha coragem:
- Nossa mas que bonito!
Que forma ele tem?
Parece aquele velhinho lá do armazém...
Como que a gente acaba com o medo de alguém?
Deve ser pensando em coisas boas, eu penso em chocolate, balas, bombons, desenhos e brincadeira, cantiga de roda e ouvir histórias a noite inteira.
O medo é um lugar habitado por quem?
O medo é uma história que ligava a realidade até a imaginação.
Ele vai chegando e mudando a feição?
Não, a minha não!
O medo desperta o ronco das certezas ou alivia o baú da esperteza?
Qual a cor que o medo tem?
Todas juntas?
Qual é a dor que o medo traz?
Todo mundo tem medo ou será que só o neném é que tem?
Até meu pai também se assusta!
Ó meu bem, que mal o medo faz?
Cochichando no ouvido dele,
Diz que vai guardá-lo num baú escondido...
Aposto que ele vai ficar com medo dele mesmo, nesse vai e vem. Medo é apelido!
Quando ele pensar em chegar, você pode se preparar; pegar uma caixinha e colocar o medo dentro, depois coloca-lo do lado de fora.
Aqui ele não vai entrar! Ninguém mais se apavora, por que é hora de poetizar! Versos soltos pra outras histórias contar.
Mas não se esqueça que você tem que todo dia demonstrar...
Os inimigos do medo são o amor, a paz, a alegria, a animação, a educação e a poesia.
Assim ele vai pra bem longe, não vai mais perturbar.
Deixa ele lá, assustado e perdido! Sem saber no que vai dar.
Nada de monstro, nada de bicho fedido, nada de escuro ou assombração!
Nada disso pode ser maior do que a bondade do coração.

*Professor Tiago Ortaet e alunos do 2º ano do Ensino Fundamental - Prefeitura Municipal de São Caetano do Sul