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segunda-feira, 4 de maio de 2009

Fecharam as cortinas, mas o palco se estende ao céu...

Após o abalo da fatídica noticia fúnebre da partida do célebre Augusto Boal, meus pensamentos e insights artísticos me cobraram feito brasa ao vento para meu manifesto perante tamanha voracidade pela arte.

A figura do escritor genial, do educador essencial e do militante cultural se apresenta em seu ultimo ato, mas seu legado, seus seguidores e suas pegadas de pesquisa nessa terra, triunfarão sob as mentes, que como ele, se preocupam com as mobilizações que a arte provoca.

Eu, em minhas tantas pesquisas artísticas, em minhas atuações a frente da TRUPE ORTAÉTICA DE TEATRO PERFORMÁTICO, me deparei diante da escrita poética desse escritor necessário para os que de fato contemplam o teatro como um jogo, como uma percepção social, li nas entrelinhas de seus livros a paixão pelo espetáculo que é viver.

Pessoas como o velho Boal não merecem um minuto de silêncio, merecem uma vida inteira de barulho, pois sua arte não se cala jamais, sua vontade em sacudir cérebros alheios não dormirá nunca e sobretudo o barulho harmonioso que sua trajetória artística nos deixou ecoará pelos quatro cantos do mundo, principalmente no mundo que há em cada um de nós.

Emergir para a eternidade é conseqüência desse mito brasileiro.

Seu teatro do oprimido coagiu opressores, vislumbrou utopias cada vez mais possíveis e foi mais que um comprimido de combate a inércia.

Que os Deuses teatrais lhe cortejem por novos caminhos e que me inspirem sempre a escrever páginas novas desse teatro peculiarmente humano, como mais um entre tantos de seus seguidores.

Professor Tiago Ortaet
tiagoortaet@yahoo.com.br
02/05/2009

quinta-feira, 26 de março de 2009

POÉTICA CÊNICA EM TEXTO RELACIONAL - Um relato de Augusto Boal

Somos todos atores...

Teatro popular, teatro contestatório, teatro interativo, teatro educativo, teatro legislativo, teatro terapêutico... em outras palavras, Augusto Boal.


O diretor brasileiro de renome mundial é o autor, este ano, da mensagem do Instituto Internacional do Teatro (IIT) elaborada em comemoração ao Dia Mundial do Teatro, celebrado em 27 de março. Inventor do Teatro do Oprimido e do personagem denominado “espect-ator”, Boal nos convida a subir no palco da vida para criar um mundo onde a dualidade opressores/oprimido será abolida.


Teatro não pode ser apenas um evento - é forma de vida!

Mesmo quando inconscientes, as relações humanas são estruturadas em forma teatral: o uso do espaço, a linguagem do corpo, a escolha das palavras e a modulação das vozes, o confronto de idéias e paixões, tudo que fazemos no palco fazemos sempre em nossas vidas: nós somos teatro!

Não só casamentos e funerais são espetáculos, mas também os rituais cotidianos que, por sua familiaridade, não nos chegam à consciência.

Não só pompas, mas também o café da manhã e os bons-dias, tímidos namoros e grandes conflitos passionais, uma sessão do Senado ou uma reunião diplomática – tudo é teatro.

Uma das principais funções da nossa arte é tornar conscientes esses espetáculos da vida diária onde os atores são os próprios espectadores, o palco é a platéia e a platéia, o palco. Somos todos artistas: fazendo teatro, aprendemos a ver aquilo que nos salta aos olhos, mas que somos incapazes de ver, tão habituados estamos apenas a olhar. O que nos é familiar torna-se invisível: fazer teatro, ao contrário, ilumina o palco da nossa vida cotidiana.

Verdade escondida...


Em setembro do ano passado fomos surpreendidos por uma revelação teatral: nós, que pensávamos viver em um mundo seguro, apesar das guerras, genocídios, hecatombes e torturas que aconteciam, sim, mas longe de nós, em países distantes e selvagens, nós vivíamos seguros com nosso dinheiro guardado em um banco respeitável ou nas mãos de um honesto corretor da bolsa quando fomos informados de que esse dinheiro não existia, era virtual, feia ficção de alguns economistas que não eram ficção, nem eram seguros, nem respeitáveis.
Tudo não passava de mau teatro com triste enredo, onde poucos ganhavam muito e muitos perdiam tudo. Políticos dos países ricos fecharam-se em reuniões secretas e de lá saíram com soluções mágicas. Nós, vítimas de suas decisões, continuamos espectadores sentados na última fila das galerias. Vinte anos atrás, eu dirigi Fedra de Racine, no Rio de Janeiro.
O cenário era pobre: no chão, peles de vaca; em volta, bambus. Antes de começar o espetáculo, eu dizia aos meus atores: "Agora acabou a ficção que fazemos no dia-a-dia.
Quando cruzarem esses bambus, lá no palco, nenhum de vocês tem o direito de mentir.

Teatro é a Verdade Escondida". Vendo o mundo além das aparências, vemos opressores e oprimidos em todas as sociedades, etnias, gêneros, classes e castas, vemos o mundo injusto e cruel.

Temos a obrigação de inventar outro mundo porque sabemos que outro mundo é possível. Mas cabe a nós construí-lo com nossas mãos entrando em cena, no palco e na vida. Atores somos todos nós, e cidadão não é aquele que vive em sociedade: é aquele que a transforma!


Augusto Boal

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

ONG Meu Guri: Desenvolve a vida e valoriza a comunidade

Peço licença ao meu querido amigo Tiago Ortaet para reproduzir a matéria publicada em seu site sobre seu trabalho na ONG Meu Guri. Além de divulgar esse trabalho belo e importante que realmente faz diferença no dia-a-dia dessas crianças, das pessoas abordadas nas intervenções artísticas e nas comunidades, serve de modelo para outros educadores.
O post original pode ser lido em seu blog http://trupeortaetica.blogspot.com/
Abraço ao Tiago e às crianças do Meu Guri!
Selma Moura



Sábado, 13 de Dezembro de 2008
MATÉRIA PRODUZIDA PELO JORNALISTA FERNANDO DO PORTAL ZN NA LINHA 2008
MEU GURI: DESENVOLVE A VIDA E VALORIZA A COMUNIDADE
Av. Guapira 920, Tucuruvi 06/Nov/2008

Imagine-se recebendo uma "injeção de alegria" na saída do Metrô depois de um duro dia de trabalho, ou então um abraço solidário de uma pessoa desconhecida e ainda por cima fantasiada. Diferente não? Pois é, estas são apenas algumas das intervenções artísticas da oficina de teatro do Núcleo de Atendimento Comunitário Meu Guri.

Trupe Ortaética alegrando o Metrô

O Programa Meu Guri é uma rede não governamental de assistência social, que atua no pré-atendimento das famílias em vulnerabilidade, ou vítimas de violência doméstica e institucional, que são encaminhadas por órgãos de proteção aos direitos da criança e do adolescente, como o Conselho Tutelar. "A idéia é que essas famílias recebam um acompanhamento diferenciado, possibilitando detectar e solucionar seus problemas com intervenções menos complexas", afirma Luiz Pereira de Souza, um dos coordenadores do projeto.

Criado em Fevereiro de 2006, o Núcleo de Atendimento Comunitário no Tucuruvi, nasceu para atender as famílias da comunidade da região. E hoje, tendo como premissa orientar e dar apoio a essas famílias, o núcleo atende cerca de 300 pessoas por mês. São atendimentos nas áreas de assistência social, acompanhamento psicológico e na arte educação.

Estas ações, além de contribuir para o fortalecimento dos laços familiares, possibilitam o processo de emancipação e inserção social. O núcleo desenvolve também outras atividades, como no curso de costura, na oficina de teatro, com o bazar beneficente e o posto Primeiro Emprego, que presta atendimento diferenciado ao jovem que procura seu primeiro trabalho.

Núcleo de Atendimento Comunitário MEU GURI - Tucuruvi

A oficina de teatro do núcleo Meu Guri tem surpreendido os arte-educadores pelo novo formato no processo de educação e pela quantidade de pessoas interessadas. "O teatro de intervenção é muito saboroso. São pessoas comuns que querem intervir no cotidiano de maneira saudável", disse o professor Tiago Ortaet. "Para os alunos é uma grande festa, pois estar na rua é totalmente diferente do palco", ressalta.

Professor Tiago Ortaet Vc tem Fome d q???

A Trupe Ortaética, como carinhosamente ficou conhecida a oficina de teatro, realiza intervenções freqüentes em locais públicos, geralmente nas estações do Metrô, onde abordam temas relevantes de maneira lúdica, como: Vc tem Fome d q???; Estatuando; Campanha de Vacinação da Alegria e Abraços Grátis", entre outros. Portanto, além de oferecer alegria a muitas pessoas, a Trupe Ortaética transforma a vida de muitas crianças.

Núcleo de Atendimento Comunitário MEU GURI - Tucuruvi
Av. Guapira 920, Tucuruvi. Fone 2201-7479

Texto: Fernando Figueiredo
Fotos: Fernando Figueiredo e projeto Meu Guri
http://trupeortaetica.blogspot.com
www.znnalinha.com.br
Crédito da imagem: Tiago Ortaet, em http://trupeortaetica.blogspot.com/2008_11_01_archive.html

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Festival Nacional Capoeira sem Fronteiras - de 12 a 14 de dezembro

FESTIVAL NACIONAL CAPOEIRA SEM FRONTEIRAS DIAS 12/13/14 DEZEMBRO 2008

CURSO COM MESTRE CAPIXABA (ES)

PROGRAMAÇÃO

DIA 12/12/08
Curso Capoeira: MESTRE CAPIXABA
HORÁRIO: 19:00 ÁS 22 :00
LOCAL: Escola Prof. Flávio J. O.. Negrini – JD Olinda/SP

DIA 13/12/08
Curso Capoeira: MESTRE CAPIXABA
HORÁRIO (manhã): 10:00 ÁS 12:00
HORÁRIO (tarde): 15:00 ÁS 18:00
LOCAL: Escola Prof. Flávio J. O.. Negrini – JD Olinda/SP

DIA 14/12/08
RODA NO PARQUE DO IBIRAPUERA- SP
HORÁRIO :10:00 ÀS 12:00

FESTIVAL NACIONAL CAPOEIRA SEM FRONTEIRAS
BATIZADO E TROCA DE CORDAS CAPOEIRA, MACULELÊ E SAMBA DE RODA
HORÁRIO: 15:00 ÁS 17 :00
Local: Escola Prof. Flávio J. O.. Negrini

INGRESSO: 1 kg de alimento não perecível.

LOCAL DOS CURSOS
ESCOLA ESTADUAL PROF J.O. NEGRINI
RUA : CASIMIRO 66 , BAIRRO JARDIM OLINDA, SÃO PAULO SP , TEL 11 8149 7901 , 8634 8481

Mais Informações visite o site: www.capoeiracapaz. org.br

EDUARDO AREIAS
TEL [11] 8149 7901

domingo, 28 de setembro de 2008

Quem tem medo do medo??? Texto poético teatral co-autoria alunos do Ensino Fundamental da Prefeitura de S. Caetano do Sul


ARTE/EDUCAÇÃO EM AÇÃO...

A seguir uma obra poética produzida através de trocas de opiniões, debates, textos e cenas nas aulas de Artes Cênicas que ministro aos alunos de São Caetano do Sul, uma experiência muito significativa na concepção de arte/educação reflexiva com crianças.

Fui o mediador das falas dos alunos e estruturei o texto que inicialmente tinham 10 linhas e a partir disso fomos criando essa história aventureira! Viajamos na fantasia e foi validado planamente o universo infantil... Eles decidriam o início e o fim da história que brevemente se transformará em livro infantil, escrito prioritariamente a apartir do ponto de vista de quem entende bem do assunto: CRIANÇA!

QUEM TEM MEDO DO MEDO???

Otávio é um garotinho muito esperto, mas não sabe ao certo o que está por traz do escuro.
Ele desconfia que seja o gato preto que havia subido em cima do muro.
Ele sabe que no conforto do seu quarto não tem perigo, ele montou uma cabana bacana, cheia de cobertas, essa cabana é seu abrigo, lá é um lugar seguro.
Mas quando chega a noite lá fora vira um lugar escuro. Quem será que mora no escuro?
Otávio pensa em grilos e largatixas, esses bichinhos que vivem no quintal.
No escuro do quintal também moram formiguinhas e cigarras que não fazem nenhum mal.
Certa noite chovia muito, o menino sempre alerta correu pra sua cabana, mas esqueceu a porta aberta e a lanterna em cima da cama.
O vento que balançou a cortina soprou forte e fez um barulhinho...
O garotinho ouviu um grito fino e estridente parecido de menina, correu de volta para seu esconderijo e abraçou seu ursinho.
Era o urso “ALFE” seu protetor, seu amiguinho.
Olhou pela janela e as árvores balançavam na esquina
Otávio preocupado chamou seu papai...
O menino ouviu um uivo de lobo do lado de fora
Tentou acender a luz!
A lâmpada que não acendia
Seus olhinhos arregalados e aquele susto que arrepia
Olhou a hora!
Pensou:
- Meu pai e minha mãe não ouviram muito bem, vou dar um grito!
- Mamãeeeeeeeee!!!!! Papaiiiiiiiiiiiii!
Seus pais chegaram ao quarto assustados
- O que houve filho, por que essa gritaria?
Otávio respondeu:
- Eu estava com medo dos barulhos que estão vindo lá do quintal.
Seu pai teve uma idéia bem legal:
- Meu filho, vou ler para você uma poesia especial.
Há muito tempo atrás um escritor bem divertido inventou essa poesia que parece um samba-enredo, ele ficou escrevendo da noite até no outro dia bem cedo; o nome do livrinho é “Quem tem medo do medo???”

Esses são os versos das crianças corajosas
De crianças inteligentes e cheias de educação
Letras que apresentam histórias caprichosas
Versinhos que parecem uma canção.
Onde moram nossos sentimentos?
Dentro da gente não é Zé Mané?
É o que é! É uma movimentação!
O que tem de bom na nossa imaginação?
O medo é uma ponte quebrada que pode me fazer cair
É uma porta trancada que não me deixa sair
É uma rua não asfaltada que me faz escorregar
É uma escuridão danada que não me deixa enxergar
É uma garota assaltada gritando pra alguém ajudar
Eu tenho medo desses programas que mostram defuntos na TV
Acho que isso é falta de assunto e nem sei pra quê.
Qual é a cor do medo?
Preto, Vermelho, Cinza ou Roxo? É uma cor que nunca vi...
Como ele se apresenta?
Bem devagarzinho, correndo ou coxo? Nem tenho mais medo, acabei de rir...
Que cheiro ele tem? Acho que é fedido...
Ele vem assustando com uma história misteriosa e lenta... Faz meninos e meninas correrem e cada olhinho aumenta!
Meu pedido foi atendido... Não to mais com medo não; percebi que é só apertar a minha mão.
Qual é o jeito que o medo vem?
Jeito esquisito... Mas meu pai já elogiou minha coragem:
- Nossa mas que bonito!
Que forma ele tem?
Parece aquele velhinho lá do armazém...
Como que a gente acaba com o medo de alguém?
Deve ser pensando em coisas boas, eu penso em chocolate, balas, bombons, desenhos e brincadeira, cantiga de roda e ouvir histórias a noite inteira.
O medo é um lugar habitado por quem?
O medo é uma história que ligava a realidade até a imaginação.
Ele vai chegando e mudando a feição?
Não, a minha não!
O medo desperta o ronco das certezas ou alivia o baú da esperteza?
Qual a cor que o medo tem?
Todas juntas?
Qual é a dor que o medo traz?
Todo mundo tem medo ou será que só o neném é que tem?
Até meu pai também se assusta!
Ó meu bem, que mal o medo faz?
Cochichando no ouvido dele,
Diz que vai guardá-lo num baú escondido...
Aposto que ele vai ficar com medo dele mesmo, nesse vai e vem. Medo é apelido!
Quando ele pensar em chegar, você pode se preparar; pegar uma caixinha e colocar o medo dentro, depois coloca-lo do lado de fora.
Aqui ele não vai entrar! Ninguém mais se apavora, por que é hora de poetizar! Versos soltos pra outras histórias contar.
Mas não se esqueça que você tem que todo dia demonstrar...
Os inimigos do medo são o amor, a paz, a alegria, a animação, a educação e a poesia.
Assim ele vai pra bem longe, não vai mais perturbar.
Deixa ele lá, assustado e perdido! Sem saber no que vai dar.
Nada de monstro, nada de bicho fedido, nada de escuro ou assombração!
Nada disso pode ser maior do que a bondade do coração.

*Professor Tiago Ortaet e alunos do 2º ano do Ensino Fundamental - Prefeitura Municipal de São Caetano do Sul